15
Out 09

Gostei muito do filme. Não era exactamente como a minha história – foi simplificada e adocicada para agradar a um público cinematográfico – e nem sempre concordei com todas as alterações feitas, mas gostei na mesma dele. Estava maravilhada com o elenco – sempre imaginei a Juliette Binoche no papel principal – e o Lasse Hallström é um realizador espectacular. O filme tinha a aparência certa – com cenários encantadores e uma fotografia maravilhosa, e a música era perfeita. Apesar de tudo, continuo a achar que foi um erro trocar o meu padre por um presidente de câmara; tenho a consciência de que estavam preocupados com o facto de que os católicos pudessem ficar ofendidos, mas quando o filme estreou o livro já tinha ganho tanta popularidade que muitos leitores ficaram surpreendidos e desapontados com esta alteração tão radical. Pessoalmente, estava menos preocupada. A minha intenção nunca foi a de realçar o papel de Reynaud enquanto padre ou denegrir o catolicismo, e penso que a maioria dos leitores percebeu isso. Reynaud é apenas um homem que usa a ideologia para manter o controlo sobre as pessoas, que distorce o catolicismo para impor a sua agenda, e isso está muito bem retratado no filme. Para além disso, a criação da personagem do père Henri, o jovem padre (interpretado por Hugh O’Connor), foi um compromisso muito bom e forneceu um grande potencial cómico. Gostei da comédia em Chocolate – o livro também não era suposto ser 100% sério – apesar de me ter apercebido de que muitas das subtilezas e momentos sombrios na história se terem perdido. Receio, no entanto, que esta seja a natureza do cinema. Penso que temos de encarar os filmes tal como eles são e julgá-los de acordo com isso, em vez de esperar que apresentem uma interpretação completamente fiel e aprofundada do livro que lhes deu origem. Como tal, acho que o resultado de Chocolate foi muito bom e estou encantada por ter feito parte disso.

 

 

publicado por Rita Mello às 15:17

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