07
Abr 10

 

Tenho uma identidade inglesa e uma identidade francesa. Quando estou em França sou mais sociável. E a minha parte francesa cozinha, enquanto a minha parte inglesa escreve.

 

Aprendi a associar lugares com pessoas em vez de com a geografia. Sinto-me ligada a lugares devido a quem, em vez de o quê, está lá.

 

Sonho muito, a cores, com som e com cheiros. Muitas das muitas histórias vêm dos sonhos.

 

Interesso-me por sinestesia há já muito tempo. As cores têm cheiros e sabores. Um tom de vermelho sabe a chocolate; alguns verdes a bergamota.

 

Não costumo beber porque não gosto da sensação de perder o controlo. A última vez que estiver mais ou menos tocada foi quando estava a ver Lost e pensava que Ben ia morrer.

 

Gosto muito da última temporada de Lost porque eles estão claramente a improvisar à medida que vão avançando. É assim que eu trabalho; não sei mais do que qualquer outra pessoa de como os meus livros vão acabar.

 

Eu sublimo partes da minha personalidade através das minhas personagens. O que é preocupante, já que algumas podem ser um pouco desagradáveis. Fico contente por o que transfiro para as páginas já não estar dentro de mim.

 

Eu era a típica criança numa loja de doces. Quando nasci, os meus pais viviam com os meus avós, que tinham uma loja de bairro em Barnsley. Eu tinha um berço debaixo da caixa registadora e a minha mais antiga recordação é de ver o sol a brilhar através dos jarros de rebuçados.

 

Sinto-me orgulhosa quando consigo terminar uma coisa em que não sou boa. Quando era criança fui destacada para correr os 800 metros no dia dedicado ao desporto e fiquei em último a uma grande distância, mas não desisti – e ao cortar a meta toda a gente me aplaudiu.

 

Aos dezasseis anos apaixonei-me por um baterista que estava a formar uma banda, como eles não tinham baixista aprendi rapidamente a tocar baixo. E tenho tocado desde então.

 

Se quiserem saber o que é importante numa cultura aprendam a língua. Gosto de coleccionar palavras que não tenham um equivalente em português: há uma em islandês que quer dizer “homem reduzido ao nível de um porco devido à bebida” e outra que se traduz por “homem deixado a sofrer uma morte solitária numa pequena ilha”.

 

(Artigo publicado no The Observer, no dia 28 de Março)

publicado por Rita Mello às 11:42

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