30
Dez 08

          

Realizado por Lasse Hallström e protagonizado por Johnny Depp e Juliette Binoche, a adaptação ao cinema de Chocolate foi um enorme sucesso, tendo o filme sido nomeado para cinco Óscares em 2001.

Deixo também aqui para vocês verem um vídeo com algumas imagens de Johnny Depp...

 

publicado por Rita Mello às 14:32

26
Dez 08

Muitos leitores assumem que os meus livros são autobiográficos. Isto não é verdade, apesar de a minha escrita reflectir por vezes o que me está a acontecer nessa altura. Enquanto escrevia Cinco Quartos de Laranja, eu estava a sofrer de enxaquecas e de insónias, e isso transpareceu vividamente na história. Em Chocolate e Na Corda Bamba apareciam mães trabalhadores com filhas novas, em ambos os casos constrangidas por algum tipo de instituição – o que reflecte o meu próprio papel dúplice como professora na Leeds Grammar School e como mãe de uma criança pequena. Nem sempre estou consciente de que estou a fazer isto, nem de que tenha sido de propósito, mas acontece; e muitas vezes são estes os aspectos dos meus romances com que os leitores mais se identificam. Apesar das histórias poderem ser ficcionais, os sentimentos dentro delas – quer sejam eles o ódio, o amor, a inveja ou a necessidade desesperante de uma boa noite de sono – são meus. Não consigo escrever sobre coisas acerca das quais não tenho sentimentos fortes, e é por isso que escolho cenários familiares para as minhas histórias e as povoo com personagens meio familiares.

 

Escrevo pelos menos três esboços para cada romance. O primeiro é para consumo próprio, o segundo vai para a minha agente e o terceiro vai com as sugestões, críticas e alterações que os meus vários editores e leitores me enviaram. Às vezes discordo deles, e nesse caso não faço nenhuma alteração. No início, mudava alguns aspectos da minha escrita para facilitar o processo de publicação, e desde essa altura que me arrependo disso; agora arrisco mais e sigo mais depressa os meus instintos. Gosto de arriscar na narrativa. Prefiro manter o enredo do romance flexível, daí que raramente tenha toda a história planeada. Detesto escrever sinopses – apesar de os editores quererem sempre ver uma – porque raramente tenho informações suficientes sobre os meus livros para poder explicar o que vai acontecer no final. Frequentemente, as reviravoltas e revelações de última hora nos meus livros apanham-me tanto de surpresa como ao leitor. Adoro quando isso acontece, porque é sinal de que as personagens, e não o autor, apoderaram-se do livro. Por outro lado, torna-se mais difícil para mim estruturar a obra final.

 

Ainda escrevo largamente por prazer. Acho alguns dos aspectos não criativos do trabalho aborrecidos – coisas como a revisão e a edição – e tendo a ser impaciente com isso, porque tiram-me tempo àquilo que eu gostaria de estar a fazer, que é escrever histórias. Eu executo estas tarefas administrativas em dias em que não me consigo concentrar no processo criativo, ou em alturas do dia em que sei que já esgotei a minha inspiração. Acabo de trabalhar por volta das três da tarde. De qualquer forma, já não consigo pensar bem nessa altura e preciso de descontrair antes de a minha filha chegar a casa da escola. Tento não trabalhar quando ela está em casa; e quando ela está de férias eu só trabalho até à hora de almoço e depois passamos o resto do dia juntas. O tempo é um bem tão precioso, e nós temos tão pouco. Ao final da tarde gosto de descontrair na banheira – o único sítio onde consigo ler sem ser interrompida – com algumas velas aromáticas e uma garrafa de vinho. Não se isso faz parte ou não do processo criativo – mas, de qualquer forma, é a desculpa que eu dou.

publicado por Rita Mello às 16:21

22
Dez 08

O meu dia normal começa por volta das sete da manhã. Não consigo ficar na cama – fui professora durante tantos anos que ainda acordo automaticamente, quer queira ou não. Não funciono bem de manhã sem chá, por isso faço algum e levo-o para a biblioteca. É aí que eu gosto de trabalhar; é um sítio calmo e tem uma vista maravilhosa, apesar de ainda estar a habituar-me a ter um sítio só para mim. Durante muito tempo não tive uma secretária e costumava escrever num portátil no chão da sala de estar. Actualmente, ainda uso um portátil e ainda trabalho no chão, apesar de já ter uma secretária. É uma secretária de escola da época vitoriana, com um tinteiro e um tampo, e é ridiculamente pequena. Toda a gente se ri dela, mas acho que me fica melhor do que uma secretária séria, com um mata-borrão e um fax.

 

O meu trabalho rende mais de manhã, especialmente no Verão. No Inverno fico deprimida e letárgica, sendo muito difícil para mim trabalhar, por isso grande parte do meu trabalho é realizado entre Março e Novembro. Sou muito sensível ao tempo e às estações, e isso afecta o modo como (e se) trabalho. Não fico angustiada com isso; consigo ver geralmente em meia hora se o meu dia vai ser produtivo, e se não estiver com vontade, não trabalho. Em vez disso, vou ao ginásio ou vejo um filme ou então vou dar um passeio a pé. Não conto as páginas que faço e não trabalho seguindo um horário de trabalho. No entanto, fico muito nervosa quando não escrevo, ou não o consigo fazer. A minha motivação tem a ver com necessidade e não com disciplina. Detesto prazos e faço de tudo para os evitar, é por isso que sou tão reservada em relação ao meu trabalho em progresso, até mesmo para a minha agente.

 

Desde que escrevi Chocolate, que foi quando deixei a docência, que publico um livro por ano. Isso não quer dizer que escreva um livro por ano – alguns levam mais tempo do que outros, e, de qualquer modo, os meus livros nem sempre foram publicados pela ordem de escrita. Por exemplo, comecei a escrever Na Corda Bamba antes ainda de Chocolate, e ia pegando nele e pondo-o de lado durante cinco anos até achar que me sentia pronta para o terminar. Vinho Mágico e Cinco Quartos de Laranja também não foram publicados pela ordem de escrita. É muito comum ter vários projectos a decorrer ao mesmo tempo. Posso estar a trabalhar numa coisa durante um par de meses e depois mudar para outra completamente diferente – ou porque preciso de fazer alguma pesquisa, ou porque preciso de mudar de ares, ou apenas porque não sei o que vai acontecer a seguir. Tenho um par de projectos onde me posso refugiar quando necessito de uma pausa do meu trabalho em progresso, e que podem nem sequer ser entregues à minha editora. No entanto, acho que esta alternância me ajuda a manter a concentração no trabalho, bem como a manter a minha mente flexível.

 

Às vezes apetece-me fazer algo mais pequeno ou completamente diferente. Os contos são um excelente meio para manter estes impulsos sob controlo, e é por isso que os meus abrangem tantos temas – do western à ficção científica. Costumo escrever mais coisas deste género durante o Inverno, e é por isso que muitos deles são sombrios e selvagens. Ou talvez seja apenas a minha maldade intrínseca a procurar um escape.

 

São poucas as ideias que vêem ter comigo enquanto estou à secretária. Geralmente sou eu que vou ter com elas – quando estou a viajar ou, simplesmente, a falar com pessoas e a ver o que fazem. Os comboios e os aeroportos são muito bons para isto; e ando sempre com pequenos blocos de nota nos quais aponto o que vi ou ouvi. Eu acho as pessoas tremendamente fascinantes, e um dos aspectos maravilhosos deste trabalho é a oportunidade que me dá de conhecer diferentes tipos de pessoas em ambientes bastante variados. No entanto, o processo de escrita é essencialmente solitário. Se tiver de ser, consigo escrever em comboios, aeroportos e, até mesmo, no quarto de brincar da minha filha, mas prefiro fazê-lo quando estou sozinha.

 

Sendo linguista e compositora, sou sensível às notas e aos ritmos das palavras, ao comprimento variável das frases e aos sons característicos de diferentes vozes. Algumas palavras soam-me muito mal e eu não as uso – os meus editores americanos pedem-me muitas vezes para mudar algumas palavras e expressões para a edição americana, mas às vezes acho que alguns americanismos estão desajustados em relação ao resto, e eu não gosto de fazer essas alterações. Leio muitas vezes as minhas páginas em voz alta; é a única forma que tenho de saber se realmente consegui evocar o que pretendia; se uma frase soa mal quando lida em voz alta eu livro-me dela.

publicado por Rita Mello às 16:56

17
Dez 08

 

 

Joanne Michèle Sylvie Harris nasceu em Barnsley, no Yorkshire, em 1964, de mãe francesa e pai inglês. Até aos três anos de idade, viveu com os pais e os avós paternos por cima da loja de doces da família. Durante a infância, passava as férias em França com os seus avós maternos franceses. Eles eram de Vitré, na Bretanha, e a avó tinha uma casa em Noirmoutier, uma ilha ao largo da costa sul. Como ambos os pais eram professores ela pôde visitar a França durante as férias grandes, período em que Joanne Harris chegava até a esquecer-se de como se falava inglês.

 

Joanne Harris estudou Línguas Modernas e Medievais no St Catharine’s College de Cambridge. Teve uma breve carreira na contabilidade, antes de começar um curso de formação de professores.

 

Conheceu o marido, Kevin, na escola em 1981 e casaram-se dez anos depois. Falam inglês entre eles, mas Joanne Harris fala francês com a filha Anouchka.

 

Foi professora durante quinze anos, tendo escrito três romances nesse período: Maligna (1989), Valete de Copas e Dama de Espadas (1993) e Chocolate (1999), que foi adaptado com estrondoso sucesso para o cinema. O filme, protagonizado por Juliette Binoche e Johnny Depp, foi nomeado para cinco Óscares em 2001 e venceu inúmeros prémios cinematográficos.

 

Depois disso, escreveu oito romances (Vinho Mágico, Cinco Quartos de Laranja, A Praia Roubada, Na Corda Bamba, Xeque ao Rei, Sapatos de Rebuçado e O Rapaz de Olhos Azuis), um deles para o público juvenil (A Marca das Runas), um livro de contos (Danças & Contradanças) e dois livros de culinária (A Cozinha Francesa e Do Mercado para a sua Mesa – Novas Receitas da Cozinha Francesa) em colaboração com a ex-chef Fran Warde. Os seus livros venderam mais de 4 milhões de exemplares só Reino Unido e estão traduzidos em mais de 40 países.

 

Segundo o livro de celebridades Who’s Who os seus hobbies são: “vadiar, espreguiçar-se, pavonear-se, tocar mal música, chatear padres e subverter silenciosamente o sistema”, apesar de gostar também da ofuscação, sordidez, rebelião, bruxaria, assalto à mão armada, chá e biscoitos. Não se considera incorruptível nem recusaria à partida uma proposta envolvendo uma viagem exótica, champanhe e diamantes amarelos da Graff. Joanne Harris toca baixo numa banda formada quando tinha apenas dezasseis anos, está a estudar nórdico primitivo e vive com o marido Kevin e a filha Anouchka a cerca de 20 quilómetros do sítio onde nasceu.

publicado por Rita Mello às 14:54

“Se Joanne Harris não existisse, alguém teria de inventá-la.”

Sunday Express
 
“Uma das romancistas mais populares do Reino Unido.”
Daily Mail
 
“Ela é formidável, consegue escrever sobre qualquer coisa, lugar ou pessoa.”
The Daily Telegraph
 
“Uma escritora com um charme tremendo.”
The Independent

publicado por Rita Mello às 14:53

 

 

 

 

 

 

 

 

publicado por Rita Mello às 14:52

 

publicado por Rita Mello às 14:51

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