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Jan 09

Os Açores fazem parte de Portugal e têm uma forte identidade católica, com velas e imagens de santos à venda em todas as lojas de esquina e bancas de jornais. Mas os santos dos Açores são um grupo bastante animado; há festivais quase todos os dias, e na nossa primeira noite em Ponta Delgada, Anouchka e eu comemos na esplanada de um pequeno café, onde (para além de termos desfrutado das melhores e mais frescas sardinhas que já comi) fomos alegremente arrastadas pelos locais para um dos muitos cortejos de rua, com dançarinos, músicos e acrobatas.

 
Qualquer desculpa é boa para uma festa, responderam-me quando perguntei que festival era aquele. Aqui, há tão pouca coisa para fazer…
 
No dia seguinte, parti com Anouchka para descobrir o que havia para fazer. Os nossos amigos da noite anterior ou estavam a ser modestos ou estavam a brincar; a ilha é espectacular em todos os sentidos. Luxuriantemente verdejante, é um paraíso para quem gosta de jardinagem; agapantos, choupas, ervas-ursas e hortênsias que crescem em todo o lado, e qualquer edifício abandonado ou árvore caída é imediatamente devorado pelas ipomeias que cobrem tudo a uma velocidade quase tropical.
 
Nos dias seguintes, visitamos plantações de chá e de ananás; beberricamos sumo de morango junto a uma cratera de um vulcão; visitamos as famosas Lagoas Gémeas, uma verde e a outra azul, em Sete Cidades, e escutamos os relatos românticos e melancólicos de como as lagoas foram formadas (os açorianos são grandes contadores de histórias, quanto mais melancólicas e românticas melhor).
 
Visitamos o vale sulfúreo das Furnas, com as suas águas e lamas em ebulição, recordando-nos de que, apesar dos vulcões açorianos estarem em descanso, estão longe de estarem extintos. No restaurante Tony’s, comemos ananás cultivado localmente, morcela com inhames cozida de forma tradicional debaixo da terra na caldeira das Furnas; e tomamos banho na piscina termal do velho e refinado Hotel Terra Nostra, onde a água da nascente está tão carregada de minerais que até o fato de banho da Anouchka fica oxidado.

publicado por Rita Mello às 17:38

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