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Jan 09

 

No terceiro dia, voamos para a cidade da Horta, na ilha do Faial, no grupo central do arquipélago dos Açores. Desde São Miguel, o voo demora uma hora, e, no mínimo, esta ilha mais pequena parece estar ainda mais perto da perfeição.
 
Viver aqui é como estar apaixonado, dizem os nossos guias; e eu percebo bem o que eles querem dizer. Conhecida por ilha Azul pelas suas hortênsias e vegetação, o Faial oferece uma espectacular variedade de cenários numa área bastante pequena, com vales verdes e pastagens de um lado, e os resultados malditos e apocalípticos de uma actividade vulcânica recente do outro. Há um farol semienterrado na cinza vulcânica; uma aérea desértica que se assemelha ao solo marciano; e locais fabulosos para tomar banho à volta de toda a ilha – apesar de existirem algumas praias, as torrentes de lava formaram locais maravilhosos para se nadar abrigados do mar aberto, onde Anouchka pode ficar durante horas a fazer mergulho, escalar rochas e inspeccionar a vida marítima aprisionada nas várias piscinas.
 
À noite, a marina é o local para se estar. A vida nocturna é sociável e pouco sofisticada, e existem vários restaurantes e bares. Nos Açores, quanto mais simples for a comida melhor. Nos hotéis e restaurantes nota-se a influência das escolas de hotelaria na comida, mas quase todos os cafés e os bares têm refeições baratas e saborosas, e o Peter Café Sport na Horta, à beira-mar, é o sítio preferido dos habitantes da ilha, com espetadas de marisco, excelentes bifes, cherne grelhado e saladas, com bom pão, queijos locais e vinhos portugueses.
 
A ilha do Pico fica mesmo ao lado, e o horizonte da Horta é dominado pelo seu cone perfeito. É um vulcão saído directamente de um livro de Rider Haggard, e não resistimos a fazer uma visita de um dia. Pode-se subir até ao cume do vulcão, apesar demorar algum tempo (até cinco horas para subir, dependendo do tempo, e cerca de metade para descer), e é preciso ir-se acompanhado de um guia registado. Uma volta à ilha de táxi oferece uma pequena mas fascinante amostra do Pico, incluindo vistas extraordinárias do próprio pico, de lagos, de uma caldeira mais pequena e do famoso Museu dos Baleeiros – apesar de tanto eu como a Anouchka acharmos que existem formas mais agradáveis de se verem as baleias no Pico.
 
A observação de baleias é uma experiência única, e dizem-nos que o melhor sítio para se tentar isso é no Faial. O nosso barco a motor tem apenas oito lugares sentados, e os organizadores fazem todos os possíveis para as baleias não ficarem perturbadas pela presença de pessoas. Não é permitido mais do que um barco, e mantemos sempre a distância. Fico impressionada pelo cuidado e sensibilidade mostrados pelos nossos guias, e tenho a consciência do raro privilégio de ser ver estes gigantescos mamíferos no seu habitat natural.

publicado por Rita Mello às 18:03

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